Nintendo abandona o Brasil e minha restrospectiva como gamer

09132247338441

Saiu dia 09/01 a notícia de que a Nintendo deixa de operar no Brasil encerrando a parceria com a Juegos de Video Latinoamérica/Gaming do Brasil. Muitas pessoas se revoltaram e jogaram a culpa no governo, na alta do dólar e se sentiram profundamente prejudicadas, inicialmente também me senti assim, mas a sensação passou. Será que a Nintendo realmente esteve por aqui? Ao contrário da Sony, que tenho certeza absoluta de que fabricava por aqui o Playstation 2, não me recordo de algum console da BIG N ter sido fabricado em nosso país.

Gostaria de fazer uma retrospectiva da minha experiência com videogames antes de prosseguir. Meu primeiro console foi um Atari, com jogos icônicos como Enduro, Pitfall e Bob Volta para Casa. Nostálgica década de 80. Então, meu pai, o grande responsável por eu estar sempre em dia com cada geração de games, me deu um Gradiente Phantom System. PAUSE. Vocês lembram de Mundo da Lua, aquela série da Cultura com o Luciano Amaral em que ele jogava o famoso jogo do Gizmo? Então, o console do Lucas Silva e Silva era um Phantom System vermelho. E de quem eram os jogos do Phantom? Nintendo! Sim, a Gradiente era a distribuidora da BIG N por aqui com jogos como Ghostbusters e Super Mario 2. Até o joguinho da Pequena Sereia eu joguei nesse. Só que era praticamente impossível conseguir comprar jogos pro Phantom, se eu tive 2 cartuchos originais, foi muito, fora o inferno com aqueles adaptadores porque o console aceitava os cartuchões e os jogos saiam em cartuchinhos. START.

Enquanto isso eu via que meus primos tocavam o terror com o Master System deles, sério, eles tinham muitos jogos e aquilo me fez pensar: aí tem. Não deu outra, pedi ao meu pai um Master System e ganhei o Master 3, com Sonic na memória e aí vem a constatação da discrepância. Eu tinha de oito pra mais cartuchos da Sega, incluindo as versões brasileiras Sapo Xulé e Chapolin Colorado. Sega x Nintendo: 8×2. Os cartuchos da Sega eram bem mais acessíveis em questão de preço. A confirmação disso veio quando eu comprei um Super Nintendo e de novo, enquanto todo mundo tinha trocentos cartuchos de Mega Drive, eu tinha 2 do Super Nes, Mario Kart que veio com o console e Donkey Kong 3 que eu comprei nas Lojas Americanas por um preço bem alto debaixo de muito protesto dos meus pais.

Aí veio a geração Somos Todos Piratas. Playstation 1 e 2 e Nintendo Wii. Quem gastava com jogo nessa época? Ninguém. Bora desbloquear e mandar ver, só que aí ocorria um problema que só vim perceber mais tarde, muita opção e pouco game time. De todos aqueles trocentos jogos que eu tinha, ficava com poucas coisas, principalmente os RPG’s, Final Fantasy, Chrono Cross, Kingdom Hearts, esses nos consoles da Sony. No Wii eu jogava Mario Galaxy e tentava um Need for Speed, apesar dessa franquia ser péssima na Nintendo. De volta ao presente.

No final de 2013 eu comprei um Xbox 360 com Kinect. É ótimo para jogar Just Dance e te proporciona bem mais esforço que as versões do Wii. E durante 2014 todo eu assinei a Live Gold e ganhei jogos de graça da Microsoft. Paralelo a isso eu tive idas e voltas com o Wii U. Eu tive dois. No primeiro eu não jogava nada, porque a Nintendo não lançava nada, aí vendi. Depois de já estar com o Xbox, a BIG N começou a reagir em termos de games, porém a geração Somos Todos Piratas tinha acabado. Não existe mais desbloqueio pra console, os jogos tem que ser originais, tanto pro Wii U como pro 3DS que eu também tenho. Em 2012, notei que consegui adquirir uma quantidade maior de títulos pro portátil e os que eu não gostava, vendia ou trocava por outros jogos, mas o Wii U continua encalhado. Só consegui o Mario Bros U, Mario Kart 2, Zelda Wind Waker, que eu ganhei na promoção deles e Just Dance 2014 que minha irmã insistiu em ter, aliás o console ficou com ela, pois é mais fácil de utilizar que o Xbox.

Vamos falar de economia? Vocês devem saber que um jogo de 3DS costuma custar 149,90 em lojas como Livraria Cultura e FNAC, que das grandes lojas são as que mais tem opção de jogos da Nintendo se comparadas à Saraiva, por exemplo. Um jogo do Wii U custa disso para cima. Opa, pera, com esse dinheiro a gente faz a compra quinzenal do supermercado, paga a academia ou compra vários livros. Cada um tem sua preferência pessoal em como aplicar o dinheiro. Volta aquela situação da década de 80/90. 5 contra 2. (Insiram uma piada aqui, rs). A Microsoft e a Sony são bem mais acessíveis que a Nintendo por vários motivos, gráficos melhores, jogos com menor preço. E aí como faz? Não faz.

A BIG N se mandou do Brasil e colocou a culpa nos impostos. Será? Todo mundo sabe que a Nintendo anda com uma postura ‘não estamos nem aí’ pras outras empresas. Eles realmente acham que vão viver pra sempre de Mario, Donkey Kong e Zelda. O que vai mudar pros brasileiros com a saída da Nintendo? Bom, os preços dos jogos vão subir, eles vão se tornar menos acessíveis para pessoas que não estão em grandes centros, afinal não é todo mundo que pode ir na Santa Efigênia fazer comprinhas, mas em termos de compra de console vai continuar a mesma coisa, eles vem de fora, com os jogos será igual. No fim a Nintendo não esteve realmente por aqui. Poucos jogos tiveram versão em português e não aquela capinha externa traduzida apenas. Talvez nem sintamos falta.

Advertisements